Os testes rápidos para Covid-19, atualmente disponibilizados no Brasil com registro Anvisa, são os chamados sorológicos que detectam anticorpos IgG e IgM. Há outros com o mesmo objetivo imunológico por metodologias diferenciadas ou automatizadas para utilização em laboratórios com equipamentos de grande porte, e ainda os POCT (point of care testing) para antígenos e anticorpos por sistemas portáteis, ambos com custos mais elevados. Mas, todos os citados apresentam como característica a testagem por anticorpos ou antígenos necessitando de tempo para o organismo produzir tais respostas imunológicas, assim como todos os demais imunoensaios para doenças conhecidas e amplamente testadas.

As análises dos testes rápidos sorológicos são qualitativas e sua interpretação de resultado pode ser: (1) negativo/não reagente ou (2) positivo/reagente ou (3) inválido, e caracterizam-se pela presença dos anticorpos para detecção do patógeno. Sobre os anticorpos IgM e IgG, a molécula da IgM tem formação mais rápida após contato com infecção e vida mais curta, já a molécula da IgG tem formação mais demorada mas vida mais longa em nosso sistema imunológico e pode impedir novas reinfecções, que para doença Covid-19 ainda não está com esse papel devidamente esclarecido. Podem indicar fase recente pela presença de anticorpos IgM ou fase de recuperação pelos anticorpos IgG, mas na atual conjuntura de surto tal diferenciação não representa ganho adicional pois nos encontramos em franco desenvolvimento da doença e prazo de soro-conversão entre imunoglobulina M para G confunde-se nesses testes qualitativos. A resposta de anticorpos à infecção, incluindo o vírus SARS-CoV-2, depende do sistema imunológico do hospedeiro, leva tempo e em relação a Covid-19 tem sido estimada conversão de 7 a 11 dias após exposição ao vírus. Com essa estimativa, o teste de anticorpos tem maior utilidade na pesquisa epidemiológica do que indicação da doença em sua fase aguda, e são utilizados com sucesso na pesquisa de anticorpos. Conforme práticas na área da saúde a presença desses anticorpos não deve ser critério único para diagnóstico da doença.

A testagem em massa de testes rápidos nesta pandemia tem funções de triagem por ser de rápida resposta, custo mais baixo e fácil operacionalização, de mapear e rastrear casos positivos, e futuramente avaliar questão sobre imunidade protetora. O padrão referência para confirmação da doença permanece sendo o exame de biologia molecular rt PCR que identifica presença do material genético do vírus SARS-CoV-2 na fase aguda, mas sem capacidade de detectar infecção passada. E a realização do teste rt PCR exige instalação laboratorial específica, restrição em biossegurança e técnica, mão de obra especializada, alto custo e resultados liberados em maior tempo. A orientação atual da testagem em massa prioriza pacientes assintomáticos e sintomáticos leves, e conforme orientação da OMS a população mais carente. Nos casos de resultados positivos ou negativos com sintomas de falta de ar há indicação de retestagem por exame rt PCR e, para resultados positivos sem sintomas indica-se quarentena de isolamento de 14 dias.

Objetivo do teste rápido sorológico: Teste qualitativo para detecção rápida em até 20 minutos, dos anticorpos IgG/IgM da síndrome respiratória aguda grave pelo vírus SARS-CoV-2 em amostras de sangue total, soro ou plasma para triagem e auxílio diagnóstico da doença Covid-19.

Abaixo quadro-resumo sobre pontos fortes e fracos dos dois testes em questão:

Vale reforçar que o estudo epidemiológico tem grande função sobre o desenvolvimento conforme características regionais, vide a doença Covid-19 e suas diferentes implicações no mundo como por exemplo na Itália e sua população mais velha fortemente atingida, e nos EUA com ausência de sistema de saúde pública e sua população mais pobre sem assistência e maioria nos casos de óbitos.

No Brasil, o SUS apresenta vantagem de capilaridade e identificação sobre mapa da doença, mas como todos os demais países frente a doença respiratória, não há capacidade de tratamento para os casos severos tanto em estrutura como em instrumentos, insumos e profissionais, caso não se busque achatar curva de propagação do vírus. Para reforçar questões e preocupações nacionais, conforme a OSCIP Trata Brasil, há mais de 35 milhões de pessoas sem acesso a água e mais de 100 milhões de pessoas sem acesso à coleta e tratamento de esgoto, além de grande histórico de doenças já relacionadas a ausência de saneamento básico que podem amplificar a propagação da doença Covid-19. A disseminação de informações validadas em busca de maior conhecimento deve ser o caminho mais seguro e rápido para desenharmos ações em busca da volta da nova normalidade. Temos poucas informações sobre vírus circulante há aproximadamente 06 meses, sem vacina ou tratamentos protocolados por órgãos oficiais, e a adicionar capacidade diferenciada de desenvolvimento deste vírus conforme ambiente encontrado e diversa sintomatologia em observação mundial.


Os testes rápidos são de grande valia e têm indicação de testagem conforme orientações da OMS, Ministério da Saúde e Anvisa. E como todos os demais exames de diagnóstico em análises clínicas apresentam indicações, limitações, orientações sobre coleta e realização, necessidade de conhecimento técnico e profissionais treinados em conformidade às regulamentações brasileiras, melhores práticas laboratoriais e cumprimento à biossegurança. Demandam de controles rigorosos, interpretação cuidadosa e grande conhecimento de questões pré-analíticas para garantia da qualidade dos resultados. Ambos exames sorológico e de biologia molecular têm importância e utilidade neste momento do surto por facilitar coleta de múltiplas amostras em diversas regiões a cobrir evolução em linha de tempo, e devem ser vistos como complementação ao diagnóstico médico, esse sim imprescindível e imperativo.


A história nos indica que ações epidemiológicas eficazes, referentes ao estudo da distribuição das doenças e seus determinantes, reforçam as orientações amplamente divulgadas sobre isolamento, distanciamento e higienização, e incluem atuação concomitante de maior capacidade diagnóstica e produção de conhecimento científico no intuito de criar políticas públicas de enfrentamento a Covid-19 em consonância com necessidades regionais no Brasil.


Elaborado por: Iona Pimentel
Fontes:
Anvisa: http://portal.anvisa.gov.br/
Ministério da Saúde: https://coronavirus.saude.gov.br/
Trata Brasil: http://www.tratabrasil.org.br/
Agência Brasília: https://www.agenciabrasilia.df.gov.br/

 
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