InviNEWS – Dengue IgG / IgM e NS1

06 Dez

A Dengue é uma arbovirose que dá origem a doença infecciosa emergente causada pelo vírus pertencente ao gênero Flavivirus e transmitida por meio da picada do mosquito pertencente ao gênero Aedes.

Introdução: 

A Dengue é uma arbovirose que dá origem a doença infecciosa emergente causada pelo vírus pertencente ao gênero Flavivirus e transmitida por meio da picada do mosquito pertencente ao gênero Aedes. O vírus possui quatro tipos presentes no Brasil: DEN-1, DEN-2, DEN-3, DEN-4. A infecção pelo vírus da dengue causa uma doença com um variado espectro clínico, apresentando desde formas brandas a quadros clínicos graves, em alguns casos com manifestações hemorrágicas. O Aedes é o principal vetor do vírus no país, tratando-se de um mosquito com hábitos diurnos, antropofílico e essencialmente urbano, que se desenvolve principalmente em depósitos de água. A principal medida de controle da doença é o combate ao vetor.

Etiologia e Epidemiologia

O vírus da dengue é transmitido por mosquitos fêmeas da espécie Aedes aegypti. A transmissão da dengue ocorre principalmente em áreas temperadas e tropicais de alcance do vetor, com variações locais influenciadas pela chuva, temperatura e urbanização rápida e não planejada das cidades.

A dengue é considerada a mais importante doença por arbovírus, pois mais da metade da população mundial vive em países endêmicos de dengue. Uma estimativa global sugere que cerca de 50 a 200 milhões de casos de dengue ocorram anualmente, culminando em cerca de 20 mil mortes.

Ciclo de Transmissão

O ciclo de transmissão da dengue se inicia quando o mosquito Aedes aegypti, vetor da doença no Brasil, pica uma pessoa infectada. O vírus multiplica-se no intestino médio do vetor e infecta outros tecidos chegando finalmente às glândulas salivares. Uma vez infectado o mosquito é capaz de transmiti-lo para até 300 pessoas através da sua picada. Abaixo segue um modelo ilustrativo:

Fisiopatologia

O vírus da Dengue após infectar o organismo humano pode apresentar uma sintomatologia variável, e com base nos sintomas apresentados, quadro clínico e exames, pode-se distinguir em Dengue Clássica e Dengue Hemorrágica. Abaixo segue um quadro mostrando a diferença de sintomas:

Dengue Clássica Dengue Hemorrágica Duração: 5 a 7 dias Febre alta: (39° a 40°) Cefaleia (Dor de cabeça) Mialgia (Dor no corpo) Vômitos Prostração Plaquetopenia (Plaquetas baixas) Exantema (manchas vermelhas na pele) Sintomas iniciais iguais ao da Dengue Clássica, porém evoluem rapidamente para manifestações hemorrágicas. Alteração da permeabilidade vascular Hemoconcentração (Concentração do sangue) Insuficiência circulatória Hepatomegalia (Aumento do fígado)

Com relação à imunidade ao vírus, alguns estudos apontam que quando uma pessoa é infectada por um dos quatro sorotipos, torna-se imune a todos os tipos de vírus durante alguns meses e posteriormente mantém-se imune, pelo resto da vida, ao tipo pelo qual foi infectado. Caso volte a ter dengue, dessa vez um dos outros três tipos do vírus que ainda não teria contraído, poderá apresentar ou não uma forma mais grave.

Diagnóstico

O diagnóstico envolve critérios clínico-laboratoriais com investigação da propagação da doença na região da qual advêm os pacientes com suspeita de dengue. As alterações laboratoriais serão apresentadas sob dois aspectos: os exames inespecíficos e específicos.

Exames Específicos Exames Inespecíficos São feitos pelo isolamento do agente (vírus) ou pela sorologia, teste de proteínas não estruturais e determinações de anticorpos ou antígenos específicos.   Exemplo: ·       Antígeno NS1 (Teste rápido, ELISA) ·       Anticorpos IgM e IgG (Teste rápido, ELISA, CLIA) ·       Teste Molecular (RT-PCR) São complementares aos exames específicos, pois avaliam a condição do paciente nos aspectos hematológicos, bioquímicos e de coagulação.   Exemplo: ·       Hemograma ·       VHS ·       Coagulograma ·       Enzimas hepáticas (TGO, TGP,etc)

 

Tratamento Prevenção Hidratação e medicação. Obs: Evitar o uso de medicamentos a base de Ácido Acetilsalicílico (aspirina) e que contém efeitos anticoagulantes que podem causar sangramentos. Paracetamol e Dipirona são os medicamentos de escolha para alívio dos sintomas de dor e febre. A melhor forma de se evitar a dengue é combater os focos de acúmulo de água, locais propícios para a criação do mosquito transmissor da doença. Para isso, é importante não acumular água em latas, embalagens, copos plásticos, tampinhas de refrigerantes, pneus velhos, vasinhos de plantas, jarros de flores, garrafas, caixas d´água, tambores, latões, cisternas, sacos plásticos e lixeiras, entre outros.

Vacina e DENV-5

A prevenção da arbovirose pode ocorrer pela introdução da vacina tetravalente contra os quatro tipos da dengue – DENV-1, DENV-2. DENV-3, DENV-4, uma realidade ainda distante, pois um único sorotipo confere imunidade homotípica de longa duração para esse sorotipo em particular. Contudo, a imunidade a outros sorotipos é de curta duração.

Foi observada a introdução de um quinto vírus – DENV-5 silvestre, no qual será inevitável o contágio humano se não for compreendida a interação entre linhagens silvestres e populações humanas para elucidar a forma de transmissão e controle da mesma.

O desenvolvimento da vacina contra a dengue deve ser visto apenas como um complemento a outras medidas de saúde pública, como controle de vetores, participação da comunidade e vontade política. Já se sabe que o Aedes aegypti adulto já foi encontrado em altitudes elevadas e larvas em água poluída, por isso a prevenção é a melhor forma de controle.

Para que tudo isso ocorra de maneira positiva tem que haver a participação da população, pois o mosquito Aedes aegypti é nosso inquilino, aumentando ainda mais a nossa responsabilidade na prevenção dessa epidemia.

 

Teste rápido Dengue – In Vitro

Atualmente, os testes rápidos se tornaram uma forma segura para diagnóstico da infecção primária e secundária da Dengue, pois as informações obtidas são essências para a tomada de conduta.

Dengue NS1 (Proteína Não-Estrutural do Vírus da Dengue 1)

Teste qualitativo que detecta a presença do antígeno em amostras de sangue total, soro ou plasma humano. Durante a fase aguda da infecção, a NS1 é encontrada no soro dos pacientes antes do aparecimento dos anticorpos IgM e IgG, sendo possível sua detecção 24 horas após o início dos sintomas. O teste possui alta sensibilidade e especificidade e o resultado é liberado em 15 minutos.

Dengue IgM e IgG

Teste de triagem qualitativo que detecta a presença dos anticorpos IgM e IgG em amostras de soro e plasma humano. A produção de anticorpos IgM começa a surgir a partir do 5º ao 8º dia do inicio dos sintomas, podendo persistir por 30 a 60 dias e em alguns casos, por meses, indicando uma infecção recente ou fase aguda da doença. A produção de anticorpos IgG começa a surgir a partir do 14º dia , podendo persistir por toda a vida, caracterizando infecção crônica. O teste possui alta sensibilidade e especificidade e o resultado é liberado em 20 minutos.

Fontes

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