Marcadores da função renal – importância dos testes laboratoriais

10 Mar

 

Introdução

Os rins são órgãos vitais, de extrema importância para o funcionamento do corpo. Eles estão localizados na região posterior do abdômen, abaixo do diafragma. Cada rim recebe sangue através da artéria renal. O sangue flui da artéria renal até as arteríolas. Das arteríolas, o sangue flui até os glomérulos, que são novelos de vasos sanguíneos microscópicos, denominados capilares. O sangue sai de cada glomérulo por uma arteríola que faz a ligação para uma pequena veia. As veias pequenas unem-se para formar uma única veia renal grande, que transporta o sangue para fora de cada rim. Os néfrons são unidades microscópicas que filtram o sangue e produzem a urina. Cada rim contém cerca de um milhão de néfrons. Os rins apresentam grande importância nas funções de excreção, regulação e endócrina, sendo eventos que se interrelacionam com grande complexidade. É muito importante realizar a avaliação de rotina da função renal, uma vez que a maior parte das doenças renais só se manifesta clinicamente quando mais de 50% a 75% da função renal está comprometida.

 

Principais funções dos rins

  • Manter um constante equilíbrio hídrico do organismo, eliminando o excesso de água, sais e eletrólitos, evitando assim, o aparecimento de edemas e aumento da pressão arterial.
  • Excreção de substâncias sanguíneas, como remédios, Ureia, Creatinina, Ácido Úrico e toxinas.
  • Produção de hormônios que controlam os glóbulos vermelhos, a vitamina D, que ajuda a absorver o cálcio para fortalecer os ossos; e a renina, que intervém na regulação de pressão arterial.

 

Doenças Renais

De acordo com a Sociedade Internacional de Nefrologia, 850 milhões de pessoas em todo o mundo tem alguma forma de doença renal, a prevalência de Doença Renal Crônica (DRC) é de 10,4% entre homens e 11,8% entre as mulheres, e a Insuficiência Renal Aguda (IRA) em 13,3 milhões de pessoas a cada ano, e pode melhorar ou evoluir para DRC ou falência renal.

A Insuficiência renal aguda é denominada como perda ou diminuição abrupta da função renal, englobando lesão estrutural ou disfunção. É uma doença que acomete pacientes que já estão hospitalizados com outra condição. Sua mortalidade é extremamente alta e necessita de tratamento intensivo. Os sintomas mais comuns são: diminuição da produção de urina, retenção de líquido, fadiga, dor ou pressão no peito. As alterações desta paralisia renal temporária resultam em uma elevação dos valores de creatinina sérica e anuria que pode progredir para falência renal permanente.

A Insuficiência Renal Crônica é a deterioração da função renal de longa duração e progressiva. Os sintomas desenvolvem-se lentamente e nos estágios avançados incluem anorexia, náuseas, vômitos, estomatites, disgeusia, esgotamento, fadiga, prurido, contrações musculares e cãibras, retenção hídrica, desnutrição, neuropatia periférica e convulsões. O fato de não sentir dor nos rins não significa nada. Em geral, o rim só provoca dor quando há cálculo renal ou infecção. Todas as outras doenças renais não costumam cursar com dor nos rins. Existe também o mito de que urinar bem é um sinal de saúde renal. Na verdade, o controle da água corporal é apenas uma das atribuições dos rins. Inicialmente, o rim torna-se incapaz de filtrar as toxinas, mas consegue eliminar água sem maiores problemas. A redução do volume da urina é um sinal muito tardio, que muitas vezes só ocorre depois que a insuficiência renal está muito grave e o paciente já precisa entrar em programa de hemodiálise. O diagnóstico baseia-se nos exames de laboratório de função renal e, às vezes, em biópsia renal. 

Marcadores Renais

Segundo o Instituto Nacional de Saúde norte americano, marcadores são definidos como indicadores quantitativos de processos biológicos ou patológicos empregados para fins de diagnóstico ou de monitoração da terapêutica. A avaliação do funcionamento renal é de grande importância na prática clínica, tanto para diagnostico, prognóstico e no acompanhamento e monitoração das doenças renais agudas e crônicas. Em geral, os exames laboratoriais que avaliam a função renal tentam estimar a taxa de filtração glomerular (TFG), definida como o volume plasmático de uma substância que pode ser completamente filtrada pelos rins em uma determinada unidade de tempo. A TFG é uma das mais importantes ferramentas na análise da função renal, sendo também um indicador do número de néfrons funcionais. Como medida fisiológica, ela já provou ser o mais sensível e específico marcador de mudanças na função renal.

Creatinina

A creatinina é produzida através da creatina, uma molécula de grande importância para a produção de energia nos músculos, a creatinina é transportada através da corrente sanguínea para os rins, que filtram a maior parte da creatinina e a descarta na urina. Portanto, quando há um comprometimento do funcionamento dos rins, o nível de creatinina no sangue se eleva, devido à falta de depuração renal, que não conseguem realizar a eliminação da creatinina produzida pelo músculo.

A creatinina tornou-se um marcador para a avaliação da filtração glomerular, pois, elevações nos níveis séricos da creatinina são atualmente os sinais mais indicativos de comprometimento da função renal.

Entre os sintomas de creatinina alta, podemos destacar:

  • inchaço nos membros, como pernas, pés e braços;
  • cansaço excessivo;
  • náuseas e vômitos;
  • confusão mental;
  • falta de ar;
  • fraqueza;
  • retenção de líquido;
  • pele seca;
  • desidratação.

 

Por ser um marcador específico avaliação da filtração glomerular, quanto mais alta estiver a concentração de creatinina, mais grave será a insuficiência renal, como consequência da diminuição da excreção pela urina.

Ureia

A ureia é uma substância produzida no fígado a partir da amônia, constitui o principal metabólito nitrogenado derivado da degradação de proteínas pelo organismo, sendo 90% excretados pelos rins e o restante da ureia é eliminado basicamente pelo trato gastrintestinal e pela pele.

Quando falamos sobre creatinina, logo nos leva a pensar na ureia também. As medidas de ureia são usadas no diagnóstico, avaliação e controle terapêutico de certas doenças renais e metabólicas, como insuficiência renal aguda, doença renal terminal e estado metabólico de pacientes em terapia intensiva e diálise.

Embora a doença renal esteja associada a elevação da concentração de ureia no sangue, também existem outras condições ligadas a esse aumento, já que uma pequena quantidade dessa substância é excretada através de suor e fezes.

Assim, a interpretação do aumento da ureia é frequentemente auxiliada pela medição simultânea da creatinina e pelo cálculo da razão ureia: creatinina, a fim de estabelecer uma causa renal ou não renal. Portanto, quando se tem altos índices de ureia no sangue ela está associada a danos extremos e geralmente irreversíveis aos rins.

Proteína Urinaria

Proteinúria é um forte indicador de doença renal, e está presente em diversas síndromes. O aumento ou a diminuição do valor de proteína na urina são marcadores importantes do prognóstico renal, diagnóstico e no acompanhamento. A urina de pessoas saudáveis não contém proteínas ou pode conter em pequenas quantidades.

A proteinúria ocorre mais frequentemente quando há dano aos glomérulos ou aos túbulos renais. A inflamação ou formação de cicatrizes nos glomérulos pode permitir que maiores quantidades de proteínas e, por vezes, até hemácias (células vermelhas do sangue) penetrem na urina. O dano aos túbulos pode impedir a reabsorção das proteínas. 

A proteinúria de causas renais geralmente é persistente, isto é, presente em exames seriados e, pode causar perda significativa de proteínas.  Os pacientes podem relatar “urina espumosa” se as taxas de excreção de proteína são muito altas, e isso está associado à hipoalbuminemia e a edema como parte da síndrome nefrótica.

Ácido úrico

O ácido úrico é um resíduo gerado em decorrência da degradação de purinas, as quais são utilizadas para diferentes processos metabólicos. As medições de ácido úrico são usadas no diagnóstico e controle da terapia de vários distúrbios renais e metabólicos, incluindo doença renal crônica, cálculos renais, insuficiência renal, gota, hiperlipidemia, leucemia, ou outras condições debilitantes e de pacientes recebendo drogas citotóxicas ou ciclosporina terapêutica em receptores de transplante.

Quanto mais alto estiverem os níveis de ácido úrico, mais grave pode ser o caso de insuficiência renal e os problemas gerados. Por isso torna-se importante a dosagem deste teses para acompanhamento e de doença renal crônica.  A análise do ácido úrico pode ser feita através do exame do sangue, em soro, plasma ou de urina humana. Em amostras lipêmicas geralmente geram turbidez na mistura amostra/reagente levando a resultados falsamente elevados.

Conclusão

O diagnóstico da DRC, principalmente nos seus estágios iniciais, quando ela é assintomática na maioria dos casos é essencial para redução de custos associados ao cuidado em saúde, além de trazer mais qualidade de vida e longevidade para a população.

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REFERENCIAS:

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